RELAÇÃO ENTRE DESENVOLVIMENTO E MEIO AMBIENTE: a incorporação da questão ambiental no processo de desenvolvimento
Sérgio Ferraz de Lima

Resumo

LIMA, S. F. Relação entre desenvolvimento e meio ambiente: a incorporação da questão ambiental no processo de desenvolvimento. Tese de doutorado. Curitiba: UFPR – MAD, 2003.

Este trabalho tem como objetivo estudar as relações do Desenvolvimento com o Meio Ambiente – D&MA. A finalidade principal é de demonstrar como os desafios do desenvolvimento com sustentabilidade não podem ser enfrentados a partir de uma perspectiva teórica que desconsidere as seguintes dimensões: - do conhecimento cientifico de uma forma mais ampla, juntamente com outros saberes (culturais e éticos); - com a utilização de novos paradigmas que coloquem a questão ambiental como eixo na busca de soluções para os problemas da relação D&MA. A pesquisa analisa a adequação do modelo de Desenvolvimento aos desafios da incorporação da questão ambiental, para a sustentabilidade, como fator decisivo para que o mesmo possa ocorrer, ou seja, trabalha-se com a hipótese de que não pode existir desenvolvimento de forma sustentável sem a presença da questão ambiental como fator principal no processo de decisão para a promoção do desenvolvimento. Sua estrutura analítica é composta de um capítulo onde se trata da capacidade de intervenção humana na natureza e os seus limites. As seções desse capítulo, apresentam uma análise das três principais formas de abordar a relação economia – natureza, a saber, a neoclássica, a ecológica e a da sustentabilidade. No segundo capítulo, percorre-se o conceito de desenvolvimento e do ambiente, tendo como ponto de partida a forma adotada no pós II Guerra Mundial. Nessa trajetória, emerge a questão ambiental, como um problema global, perpassando as instituições da governança internacional, que surgiram durante a II Guerra Mundial, como a ONU, logo após o FMI, Banco Mundial, OMC, PNUD, etc. O trabalho avança com uma análise do processo de tomada de decisão e de legitimação das ações para o desenvolvimento, entendido primeiramente na sua face econômica, para, em seguida, fazer uma leitura com a participação do meio ambiente. A materialização desse processo tem, no Protocolo de Quioto, um marco, sendo seu foco principal, os mecanismos para um desenvolvimento limpo - MDL. Na conclusão, em primeiro lugar, destaca-se a maneira encontrada para pensar e agir na questão ambiental, como um problema de abrangência global, sob a tutela das organizações encarregadas da governança mundial, como a ONU. Em segundo lugar, é relatada a participação da questão ambiental como eixo principal do desenvolvimento sustentável, incorporando o conhecimento científico e outros saberes para legitimar as ações que se referem à questão ambiental. Isso representa a inclusão de novos paradigmas e racionalidades, diferentes das utilizadas até hoje. Finalmente, verifica -se que a questão ambiental, para adquirir legitimidade, deve fazer parte, como ator principal, do cotidiano das pessoas, orientadas por políticas públicas. Concluindo, a questão ambiental, para ser incorporada integralmente nas decisões, dentro da lógica do sistema capitalista, deve estar no rol das exigências da sociedade organizada, aparecendo como o elo entre o homem e a natureza. Afinal, é a natureza, pelos seus sistemas, que presta os serviços que possibilitam a vida.

Palavras-chave: Economia neoclássica; Economia ecológica; Economia da sustantabilidade; Desenvolvimento sustentável; Meio Ambiente.


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